Pelo Dia dos Namorados

Junho 13, 2009

Um dia de atraso, eu sei. Mas não importa, não é? Que seja ele todos os dias… Que uma data singela como o 12 de junho sirva para nos lembrar que precisamos comemorar cada segundo ao lado da pessoa que a gente ama…

“Meu amor,

Pensei em escrever uma carta de amor que seja ridícula para ser legítima (e para que eu não fosse a única ridícula a nunca ter escrito uma carta de amor). Uma carta de amor que te fale com jeito de poeta sem jeito do nobre ofício de amar. Que te fale que é por estar te amando que trago uma canção na alma e um sol quente e brilhante no coração. Que ando como se meus pés fossem feitos de nuvem. Que tenho vontade de sair dançando de rosto colado com você toda vez que toca a nossa música, que o Chico fez para nós e nem sabe. Que te contasse que o aconchego dos teus braços me leva de volta para casa. Que seu beijo ainda tem o mesmo efeito devastador sobre meus sentidos, e que o resto… Ah, o resto! Que quero nosso amor todo dia reinventado, porque sei que o amor não é eterno, é diário. Então quero estar diariamente reapaixonada. Que sei que amor não se vende, não se troca, não se paga. Amor a gente sente, espalha. E dá trabalho, mas vale mesmo à pena. Pensei mesmo em te escrever uma carta de amor, simplesmente pra falar que eu te amo, e que este amor faz de mim a pessoa mais ridiculamente feliz deste mundo”.


RE:Desistir

Maio 19, 2009

“A palavra desistir é pesada. Ainda quando somos obrigados a desistir, o seu peso não diminui, talvez até aumente. Eu relutei minha vida inteira em desistir… sempre achei que tudo merecia uma nova chance… Ao invés de desistir, eu costumava insistir… Não tenho qualquer arrependimento,porque insistir me fez perceber que desistir pode me fazer perder coisas ou pessoas que valem à pena. O tempo passou, e eu fui obrigada a desistir de algumas coisas. Não tive escolha, a escolha já tinha sido feita.

Precisei me conformar com a perda contrária à minha vontade. E aprendi que eu precisava mesmo insistir, que eu precisava insistir mais algumas vezes… E aprendi que algumas vezes eu precisava insistir mesmo que fosse hora de desistir… Aprendi que havia horas de desistir, ainda quando meu coração me dissesse pra insistir… No final das contas, decidi não desistir jamais… Mas, há coisas pelas quais não vale mais insistir… Dessas, eu acabo desistindo. Paciência. A vida é assim, acontece.

Tenho pensado bastante ultimamente em uma série de coisas, comportamentos, decisões, opções. Percebi que é difícil se doar, quando a doação não é recíproca.  Percebi que virar o outro lado do rosto pode ser lindo, pode ser memorável, pode ser um sinal de elevação espiritual, mas nós somos humanos. E eu acho perfeitamente compreensível não querer virar o outro lado do rosto para um novo tapa. Algumas coisas na minha vida, eu cheguei a achar que jamais desistiria delas… Hoje eu desisti de algumas.

Quanto ao amor, não há amor sem renúncia; não há amor sem perdão; não há amor sem insistência. Não consigo dissociar essas palavrinhas. Achei que você tivesse amadurecendo, achei que muita coisa havia mudado. O que sinto é que há muito ainda que não consegues compreender; que você tem-se fechado ainda mais. Quem sou eu para ensinar alguma coisa a alguém…. Mas será recompensador ver que quando as pessoas sentem saudade, você também chega perto delas… A vida é uma via de mão dupla.”


RE: Defeitos

Maio 5, 2009

“Todos nós somos egoístas. Todos, sem exceção. Esse nunca vai ser o maior problema de ninguém, porque o egoísmo é inerente à natureza humana. O que muda é a intensidade, é a forma como lidamos com isso… quando a gente reconhece uma característica na gente, fica bem mais fácil lidar com ela, minimizá-la ou potencializá-la… A grande questão com relação ao egoísmo é o quanto estamos dispostos a renunciar ao que queremos em prol de alguma outra pessoa que amamos. O amor exige renúncia, sempre. Aceitar o outro, com sua imperfeição inerente, é uma renúncia… a gente não precisa deixar de ser egoísta, nem abrir mão de nossa felicidade em prol da felicidade do outro… o que a gente precisa é compreender as necessidades desse outro (se a gente quer mesmo permanecer ao lado dele) e tentar minimizar os efeitos do nosso egoísmo dentro da relação… e isso, a gente pode fazer nas pequenas coisas, nas mais simples… só que o ser humano complica demais… que pena!
 
Eu não acho que falar é fácil, necessariamente. Discordo em gênero, número e grau dessa afirmação. Às vezes, falar é tão difícil, que quem ouve nem imagina… não dá pra generalizar… são tantas as variáveis… a impressão que tenho é que você tá em busca de uma fórmula… uma fórmula que vai fazer as coisas funcionarem bem, que vai eternizar o amor, que vai trazer a compreensão aos dois… Mas não há fórmulas, infelizmente. E cada relação é uma relação… somos humanos, temos valores, valoramos as coisas de forma diferente e em intensidade diferente… O que eu acho que as pessoas precisam hoje é da certeza de que querem viver a vida inteira ao lado daquele outro alguém. O que eu sinto falta hoje é disso: a vontade e a certeza de que aquela é a pessoa da sua vida e não importam as dificuldades, é com essa pessoa que você quer passar o resto dos seus dias… Essa vontade vai fazer nascer a compreensão, a tolerância, vai renovar o amor a cada briga…
 
Quanto às brigas fúteis, elas sempre existirão, em toda e qualquer relação. Duas pessoas que foram criadas de forma diferente, que possuem valores diferentes, de repente decidem dividir uma vida. Com certeza terão brigas fúteis… mas o problema não está aí… o problema está na duração destas brigas, no impacto delas na relação, na forma como vocês vão começá-las e encerrá-las… tive um relacionamento passageiro, certa vez, e toda vez que havia uma briguinha fútil, a gente repetia uma mesma frase, um ao outro…. um belo dia percebemos que não havia mais briguinhas… mas a vida dá voltas… no momento em que as briguinhas cessaram, por um momento eu cheguei a pensar que tinha encontrado, de novo, o homem da minha vida… mas a vida dá voltas… em um momento específico eu não compreendi uma necessidade dele e ele não foi paciente.
 
Estou falando dele aqui porque, coincidentemente, hoje ele me ligou. Depois de anos sem nos falarmos… E conversamos sobre isso… Quem errou? Nós dois erramos… porque eu cobrei paciência, mas não compreendi a necessidade dele.. porque ele não compreendeu que aquela exigência era demais pra mim naquele momento. Hoje ele está bem longe daqui… ligou pra pedir desculpas por não ter sido paciente naquele dia, anos atrás. Incrível, isso… as lágrimas escorreram de meus olhos… foi bom ouvir aquilo… ele me deu a chance de também pedir desculpas… porque apesar de ter cobrado paciência dele, a impaciente fui eu… é o egoísmo.. olha ele aí de novo… ele sempre vai estar presente…
 
Sabe o que eu aprendi com tudo isso? A levar a vida mais leve… a perdoar as pessoas que amo pelas suas falhas, pela ausência… ao decidir levar a vida mais leve, percebi que todos na vida têm seus motivos… aprendi a amar as pessoas que amo do jeito que são… só isso… às vezes elas me magoam, machucam… mas aí eu penso em quantas vezes eu as magoei e as machuquei, e elas continuam ao meu lado.. quantas vezes eu já devo ter sido perdoada e nem me dei conta disso… aliás, com certeza, muitas vezes elas me perdoaram e eu nem tomei conhecimento.. eles simplesmente não me disseram que as magoei…
 
O amor não é complicado… complicado é o ser humano, complicados somos nós, que amamos… e quanto mais humanos, mais indagamos da vida… mas, por outro lado, quanto mais humanos mais compreendemos também… Eu escrevo demais!!! Sempre escrevi demais… Mas uma outra coisa que aprendi com a vida é a não deixar dúvidas… então, quando for o momento de falar, gastarei todas as palavras que estiverem ao meu alcance para me fazer entender… Quando for o momento de ouvir, estarão eles atentos, os ouvidos… e não me cobrarei por não ter entendido qualquer das palavras do outro.. aprendi a perguntar um milhão de vezes… isso ajuda a entender…

A relação perfeita não existe.. o que existe é adaptação, é vontade de ficar junto, certeza de querer o outro do seu lado pra sempre, e amor… Isso tudo aí de cima é divagação, mas tenha certeza de que, no dia que eu encontrar alguém que fizer despertar essa certeza em mim, de que ele eu quero do meu lado pela vida inteira, vou mandar um e-mail dizendo que eu nunca achei que eu podia ter razão…”


RE: Otimismo‏

Abril 30, 2009

“Sabe o que eu acho mais bacana na vida? Essa possibilidade de descobrirmos coisas, adaptar a forma como temos levado a vida… A gente segue sorrindo, chorando, batendo cabeça, acertando, errando… independente dos resultados, a gente sempre segue… porque, feliz ou infelizmente, os dias não param para que possamos avaliar o que estamos fazendo deles… eles passam a cada 24h, queiramos ou não… daí, tudo vira passado, que juntamos e denominamos de “bagagem”, “experiência de vida”… Mas pra mim, o que mais me angustia nessa história toda é o tal do conceito de “erro”… é tão relativo… depende tanto de quem enxerga, depende tanto da tal bagagem, para determinar se a escolha foi um erro ou acerto…
 
A gente vai errar sempre… mesmo quando a gente acertar, alguém pode avaliar aquele acerto como um erro… E se a gente considera o erro apenas no nosso ponto de vista, estaremos sendo egoístas…. ser altruísta, gente boa, estar em forma, ser legal, bacana, amigo é massa… mas nós somos imperfeitos… sempre alguma coisa vai desagradar, alguma coisa vai sair dos trilhos… a gente tem mesmo defeitos.. alguns mais ajustáveis, outros menos… e a sabedoria está em reconhecer estes defeitos e se esforçar na tentativa de minimizá-los… até porque nossos defeitos são tão diferentes a depender de quem os enumera, não é? Alguns podem achar o seu jeito fechado um defeito, outros podem pensá-lo como qualidade… eu, por exemplo, adoro seus pneuzinhos, enquanto alguém pode ver isso como “fora de forma”…
 
Somos imperfeitos e erraremos constantemente… e o que me deixa mais confortada em cada um dos meus erros, é que eu consigo enxergar o quanto errar é humano.. e o quanto aquele erro específico pode ter-me feito aprender… e o quanto eu me esforçarei para não cometer aquele mesmo erro numa próxima vez, embora tenha a certeza de que cometerei dezenas de outros tentando acertar…
 
No final das contas, me pergunto o que é mesmo a felicidade… Tem quem ache que felicidade é conseguir sorrir todos os dias, todas as horas, a cada segundo… eu acho que felicidade é outra coisa… é um conjunto, um equilíbrio… um dia escrevi no blog que cada dia que conseguia sorrir de manhã ao acordar eu tinha a certeza de que estava no caminho certo… a vida é um caminho e a gente vai fazendo escolhas sobre qual direção seguir…. otimista você sempre foi… talvez apenas não tivesse pensado nisso antes… você também sempre tentou ser melhor e talvez só tenha esquecido disso… se pode melhorar ainda? claro, todos nós podemos… mas, ao olhar pra esse seu caminho de doze anos pra cá, do qual eu pude participar um pouquinho, eu percebo que você sempre acreditou que podia acertar… e isso eu sempre admirei em você!”


RE: saudades‏

Abril 29, 2009

“Saudade é a comprovação de que alguma coisa, em algum momento, foi boa… Foi tão boa que a gente queria poder reviver aquilo, queria poder trazer de volta aquele momento… saudade faz a gente ver as tantas besteiras que fez, saudade faz a gente chorar… saudade faz a gente rir também (porque embora distante, está feliz)… não, não há saudade sem amor…

Mas nós somos humanos… e se hoje conseguimos sentir saudades, se hoje conseguimos compreender tanta coisa, é porque precisamos passar por tudo aquilo que passamos… precisamos fazer as bobagens, precisamos ser perdoados, precisamos errar para, lá na frente, hoje, podermos ter orgulho do tanto de aprendizado que a vida nos proporcionou…

Ninguém é perfeito, e ninguém é tão imperfeito assim… seremos amados por alguns, seremos odiados por outros… alguns sentirão muita saudade da gente, outros nem lembrarão que passamos pela vida deles… Mas uma coisa é certa, a gente sempre vai ser importante pra alguém, a gente sempre vai fazer a diferença na vida de alguém…. alguns sentirão saudade da gente, a gente sentirá saudade de alguns… E isso faz a vida ser muito mais bela…
Eu, por exemplo, sinto saudades de você. Diariamente.

Então já que você tocou no assunto…. e achei lindo isso de tocar no assunto… Obrigada… Antes que seja tarde demais, antes que deixemos de nos falar, antes que a vida nos leve para lados opostos, antes que decidamos não mais nos ver, antes que eu não tenha mais essa oportunidade… Obrigada… por ter pedido meu telefone naquela escada, por ter me ensinado a amar, por ter insistido em permanecer por perto… Obrigada por existir em minha vida de uma maneira tão intensa, pelos risos, pelas broncas, palas conversas, pelas brigas, pelos telefonemas na madrugada, pela cumplicidade, pela amizade… Obrigada pelos beijos intermináveis, pelas tardes de amor…

E nunca esqueça que foi a primeira metade de sua vida que levou você a esta segunda metade…. sem a primeira, você jamais teria tido a oportunidade de ser quem é…”


Querido Niel,

Dezembro 27, 2008

“Hoje percebi o quanto o passado está impregnado em nós. Como em um passe de mágicas, compreendi que algo está errado. Que preciso fazer este algo diferente. O passado nos perseguiu durante todos estes anos. Com o pretexto de que somos os melhores amigos do mundo, arranjamos desculpas esfarrapadas para dormir junto, beijar na boca e fazer amor. É o passado que não nos deixa em paz. Que nos persegue, atento e desconfiado. Hoje, porém, algo de diferente aconteceu. Mais uma vez fizemos amor. E enquanto você tomava banho e eu tentava encontrar as peças de roupa espalhadas naquele quarto de motel, comecei a pensar que estava na hora de deixar pra trás o passado e começar uma vida nova.

Não vou conseguir tirar você da minha vida. Quantas vezes tentei, em vão. A única coisa que consegui foi nos magoar mais e mais. Mas posso tentar manter este nível de cumplicidade e amizade sem que para isso precisemos reviver o passado em cada encontro. A partir de hoje, seremos amigos, apenas. Sem beijos na boca, sem o roçar de pernas na cama. Podemos ir ao cinema se você quiser, ao teatro. Podemos ver um show juntos. Mas sem beijos e carinhos. Vamos aprender a conviver de uma maneira diferente. Ficamos juntos há tanto tempo. Eu até quis ficar junto de novo, mas não deu. Você não quis. E eu achei que me afastar de você e ignorar sua existência seria a solução. Não foi, não funcionou.

Hoje, enquanto catava as roupas, percebi que podemos ficar juntos, podemos nos falar várias vezes ao dia, podemos contar segredos, mas sem beijos e sem fazer amor. Podemos rir juntos, contar histórias, conversar… No início, sei que vai ser um pouco esquisito. Estamos tão acostumados, não é? Sem cerimônias, nos cumprimentamos com um selinho. Nos despedimos assim também. Sempre foi assim, por tantos anos. Até pensar em beijar a tua bochecha me soa esquisito. Não sei a última vez que fiz isso. Deve fazer tanto tempo, mas tanto… Mas as mudanças são positivas. Devem ser vistas assim. Esta será apenas mais uma mudança. De rotina, de comportamento, de atitude, de vida. Uma mudança brusca, eu confesso. Mas já está mesmo na hora.

Com carinho,

Niela”


Amigo amante

Outubro 26, 2008

Sim, entre aspas!!!!

“O homem que eu amo é o meu melhor amigo. O meu melhor amigo é o homem que eu amo. Como tem sido difícil lidar com isso. Tenho medo. Medo de perder o amor e o amigo ir junto. Medo de perder o amigo e precisar enterrar o amor.

Sempre quis que fosse assim, e agora me angustia a possibilidade de alguma coisa não dar certo. Agora eu posso perder você duas vezes… Será que precisarei escolher? Será que estou sofrendo por antecipação? Será melhor deixar ver? Será melhor viver? Será? Será?”


Coisa do passado

Outubro 8, 2008

“A menina que dizia “tudo bem” sem olhar pra trás e sem perguntar o porquê já não existe. A menina que sofria calada, orgulhosa, sem lutar, que desistia fácil e aceitava, essa não existe mais. Hoje, ela é uma mulher. Com muito ainda a aprender, mas que amadureceu com o tempo. Aquela menina se transformou nessa mulher. Que pergunta por que, que insiste enquanto acha que vale a pena, que luta pelo que acredita. Aquela menina agitada, hoje é mais paciente, mais tranqüila… Talvez ela sofra mais também, por aceitar menos as coisas como são e por enfrentar as situações de peito aberto. Mas ela é mais feliz assim”.


Por fim

Agosto 25, 2008

“Hoje estive pensando em nós dois. Dirigia distraída, tentando compreender este grau transcendente de amor que existe em nós. Por hora, questionei por que motivo nos conhecemos tão jovens, por que nos apaixonamos tão cedo, quando nem sabíamos direito o que era o amor. Depois, me redimi das minhas lamentações. Ainda sem conseguir compreender a razão de tudo isso, me perguntei por diversas vezes por que você não abre mão de mim… por que eu não abro mão de você.

O tempo passou rápido para nós. Tão rápido que me choca lembrar da nossa adolescência juntos, da juventude batendo à nossa porta e nós dois descobrindo o amor… Queria que tivéssemos nos conhecido hoje. Ontem, há um, dois anos, talvez. Já adultos, já maduros… Quem sabe? Quem sabe não suportaríamos melhor a estranheza daquele sentimento com o qual nunca aprendemos a lidar, ou só aprendemos a lidar hoje?

Confesso-lhe que demorei a ficar confortável em ouvir tuas histórias. Tanto quanto a ver-te ouvir-me contar as minhas. Ao mesmo tempo em que longos e apaixonados beijos intercalavam os conselhos amigáveis e as novidades do dia. Hoje, enquanto pensava em nós dois, deu vontade de te ligar. E fazer uma única pergunta, da qual eu mesma não queria ouvir a resposta: Por que você não abre mão de mim?

Por fim, decidi que não era mesmo a hora de ouvir-te responder… Por fim, decidi que havia um pouco mais de tempo pra viver ao teu lado. Assim. Por fim, decidi mandar-te este conjunto de palavras recheadas de confusos sentimentos. Por fim, confesso, não quero tuas respostas… Por fim, é saudade de ti.”


Mais sobre ilusão

Julho 4, 2008

Querido João,

Você está enganado. Um não ilude o outro. Um ilude a si mesmo, baseado no que o outro diz e faz. Portanto não culpe o outro por sua decepção. Não fossem as expectativas que você mesmo criou, nada disso teria acontecido, muito menos estaria você agora a falar de ilusão. Da próxima vez por favor, lembre-se disso. Será mais fácil pra você.

Com carinho,

Maria.


Conto de fadas

Junho 24, 2008

Querido Jasmim,

Escrevo para te dizer que caí na real.

Um beijo,
Rosa.


Renúncia ao amor

Maio 17, 2008

Adoro escrever cartas. Assim como adoro receber escritos dos outros. Elas nem sempre representam o que sinto, o que vivo. Às vezes, representam o que outros sentem, transformo histórias em cartas, ficções em cartas, sentimentos também. Cartas são declarações. É como abrir o coração e deixar sair qualquer coisa de lá, diretamente a alguém – ou não.
Mais uma carta, bem longa. Mais uma.

“Gui,

Engraçado que leio todos os cartões e mensagens que trocamos ao longo dos anos e a sensação é que eles poderiam ter sido escritos em qualquer data desde aquele dezembro de 97. Eles poderiam ter sido escritos ontem, por exemplo, que fariam todo o sentido do mundo. A primeira mensagem que você me escreveu dizia em um trecho assim: “Não precisamos temer nossos sentimentos. Nos conhecemos tão bem, assim como não conhecemos ninguém…”. Nada mais atual, não é?

Vivi coisas lindas a seu lado e descobri a forma mais sublime do amor, que sobreviveu ao tempo, que não magoa, não machuca, não ilude, que sempre foi sincero e honesto nas horas difíceis, até para abrir mão dele mesmo, do amor. Quanto respeito, amizade e cumplicidade conseguimos cultivar… Sempre me perguntei por que mantínhamos essa história viva, e por que nem mesmo tentávamos nos separar. De uma forma ou de outra, ainda que inconscientemente, estivemos sempre juntos.

Tão intensa e tão forte esta relação, a ponto de sentirmos quando o outro não está bem. Quantas vezes meu telefone – ou o seu – tocou só porque o outro pressentiu que alguma coisa estava acontecendo? Enfim… Desisti de entender. Tive minhas crises, exigindo compreender até onde chegaríamos; percebi o quanto pessoas próximas não conseguiam assimilar esse relacionamento a que demos vazão e tão esquisito aos olhos externos. Eu mesma cheguei a aceitar o quão estranho era isso tudo.

Hoje, sinto um vazio. Talvez você não tenha a mesma inquietação, talvez tenha sido especial só pra mim, não importa. O que importa, neste exato momento, é esse vazio em mim. É a sensação do círculo que se fechou, da linha que se rompeu. Nunca cobrei de mim uma explicação para o fato de não estarmos juntos. Mas naquela noite, ao desligar o telefone, a primeira pergunta que me fiz foi o que estávamos fazendo de nós. E cheguei à triste conclusão do quão covardes nós fomos, nós somos e sempre seremos.

Covardes por nunca termos aberto mão um do outro, mesmo sabendo que jamais dividiríamos uma vida. Você, talvez mais ainda, por ter feito uma escolha tão medíocre, de viver distante da pessoa que diz amar, independente do que ela pensa sobre o assunto. Quanto a mim, minha covardia está no fato de não ter resistido, de nunca ter tido coragem de colocar um ponto final, de ter recuado e cedido a seus pedidos todas as vezes que disse não.

Mas somos humanos. E isso é um consolo imenso, porque podemos nos dar a chance de errar, corrigir, voltar atrás, resistir, tudo sem a menor culpa. Hoje digito estas palavras com a batida do coração acelerada. A mesma aceleração que sinto ao colocar a mão sobre o seu peito em todas as vezes que estivemos juntos. Nossa! Quanto representa um coração batendo forte quase onze anos depois? Você já parou pra pensar nisso?

Me pergunto como será daqui em diante. Quando a saudade bater, o que farei? Aliás, o que farei quando der vontade de ouvir você cantar (ainda que tão desafinado!!!!), quando der vontade de te beijar, de te tocar, de conversar sobre futebol, política, o mundo? De deitar no seu peito na cama, de ouvir sua voz, e de até ouvir o “eu te amo” que você jamais deixou de falar.

Sim, isso é uma carta de despedida. Com todas as dores que ela pode trazer, com todos os dramas que pode causar, e com toda a saudade também. Um dia você me disse que era impossível sermos apenas amigos. Eu discordei naquela época, te achei imaturo e precipitado. Questionei sua afirmação e te chamei de menino. Mas hoje me rendo às suas palavras e vou me redimir: você sempre teve toda a razão quanto a isso. Nunca resistiríamos à tentação.

Um beijo, meu amor. Daqueles que aprendemos a dar. De olhos fechados, de gosto apimentado. Fica bem e seja feliz. Porque, no final das contas, é a única coisa que importa. Nada paga envelhecer ao lado de alguém que te faça rir com bobagens e com coisas sérias; que te faça ter vontade de dormir e acordar ao lado; que levante seu humor nas horas em que o mundo parece desabar nas suas costas; que te faça enxergar os caminhos; que te mostre o lado positivo das piores tragédias; com quem você sinta vontade de conversar sobre o universo inteiro. Nada paga estar ao lado de alguém de quem você possa se orgulhar dia-a-dia. É essa a pessoa que desejo pra sua vida.

Quanto a mim, vou procurar alguém pra dividir um mesmo quarto de um apartamento qualquer. Ah, sim, e que aceite ampliar o closet para que possamos organizar nossas coisinhas separadas, embora juntas (sim, você me fez mudar de idéia e rever meu conceito de convivência). Agora, com a certeza do que eu quero pra mim: me apaixonar reiteradas vezes pelo mesmo homem por toda a minha vida, casar e, quem sabe, ter um filhinho que vou batizar João Felipe… A sua Maria, o meu João… Cada um com o seu.

Amo-te,

Bia”