A vida não é uma maré rasa. Embora possa passar boa parte do tempo como uma marola, vez em quando um tsunami aponta sem anúncio. Parece que vai destruir tudo, o desespero se instala e a instabilidade toma conta. Quando você nunca passou por isso, é difícil lidar, achar uma maneira coerente de administrar a situação. É complicado até pensar friamente no que fazer. Eu nunca havia passado por um tsunami antes. Não sei como lidar com isso. Penso, tomo decisões e no dia seguinte acho que tudo está equivocado. Penso de novo, esqueço o que decidi. Não tem sido fácil, mas não vai ser impossível. O mais reconfortante de tudo é que, um dia, tudo vira passado.
Mais sensível
novembro 8, 2011O passar do tempo me transformou em uma pessoa mais sensível. Antigamente poucas lágrimas fugiam dos meus olhos. Hoje, qualquer propaganda mais sutil me faz chorar. Não tenho por que julgar essa mudança. Aconteceu e estou aprendendo a lidar com esse novo “eu”. Não é que eu esteja mais frágil, nada disso. O que percebo é que hoje consigo demonstrar melhor o que estou sentindo. Acho que isso é bom.
Ansiosa
agosto 5, 2011Estou ansiosa. Não é um estado de espírito meu, normalmente sou bem tranquila até. Mas os últimos acontecimentos têm causado em mim uma ansiedade chata. Não gosto da sensação, não gosto da aceleração cardíaca que a ansiedade traz. É um sentimento que me angustia um pouco. Mas é isso, não temos controle sobre tudo o que nos acontece. É seguir, até que as coisas se resolvam e a calmaria se instale novamente.
Saudade, troço esquisito
março 4, 2011Saudade é um troço esquisito. Vez em quando vem com tudo, devasta a gente. Causa um incômodo chato, uma ansiedade estranha, uma vontade. Saudade é boa quando a gente pode matá-la, quando apenas o tempo separa o alvo, quando a gente sabe que ela vai passar em breve. Mas tem saudade que não vai passar. Que é melhor permanecer como saudade. Tem saudade que são apenas boas lembranças de coisas legais que aconteceram. Dá vontade de repetir, de fazer de novo, de novamente experimentar. E então a noite chega, a gente dorme, e amanhã é sempre um novo dia. Com mais ou menos saudade, amanhã será sempre um novo dia.
Tentando me importar menos
fevereiro 24, 2011Às vezes pessoas que amamos tomam certas atitudes que não conseguimos compreender, que nos magoam. E talvez seja melhor não entender mesmo. Cada um tem seus motivos, tem suas razões. A gente sempre acha justificativa para o que quer, para o que faz. Eu já sofri muito tentando achar respostas para tudo o que acontecia ao meu redor. O tempo, sábio, me ensinou que quando as respostas dependem de outras pessoas, nem sempre vamos conseguir arrancá-las. Eu tenho aprendido muito com a vida nos últimos dias. Lições valiosas, mas difíceis.
No post anterior eu tinha falado da importância do diálogo. E eu acho mesmo fundamental dizer o que está sentindo, o que está pensando. A gente pode evitar tanta coisa. Eu sei que tem gente que tem dificuldade de falar. Escreve uma carta, manda um e-mail, sei lá, se expressa. Mas é isso, cada um tem suas razões, né? Lembro que uma vez eu fui terminar um namoro e passei minutos e minutos falando sozinha. Ele praticamente não disse nada. Umas poucas frases e só. Saí de lá me sentindo péssima, sem entender o que tinha acontecido, sem saber o que ele estava pensando… Acho que é hora de me esforçar para me importar menos com os outros.
Intimidade é massa
dezembro 17, 2010Intimidade é massa. Talvez seja a parte que mais me atraia em manter relacionamentos longos. O tempo possibilita que conheçamos os detalhes da pessoa que está ao nosso lado. Aprendemos a ler olhares, a entender reações. Deciframos comportamentos sem que palavras sejam necessárias. Tem gente que acha a previsibilidade um saco, mas eu a aprecio quando ela decorre da intimidade. Sabe aquela sensação de você já esperar a reação do outro? De ter certeza de como vai agir? Eu gosto de conhecer os gostos, os hábitos. De saber o que chateia, o que irrita… Eu realmente acho a intimidade massa.
O amor que eu amo
novembro 11, 2010É tão difícil falar sobre o amor. São tantas variáveis… Eu acredito no amor e tenho a minha forma própria de enxergá-lo, como todo mundo o tem. O amor que cultivo em mim tem uma certa tranquilidade, um ar de paz. Sim eu já amei. Amei de duas maneiras diferentes, porque talvez a maturidade nos ensine um jeito mais gostoso de amar. Perguntei-me durante muito tempo como é que a gente sabe que é amor. As respostas, eu as encontrei vivendo. Por cada reação, por cada emoção, por cada riso e lágrima, ali tinha mais uma certeza de que, sim, era amor.
Percebi que o amor se mostra pela vontade de querer estar junto, pelo respeito, pela cumplicidade, pela troca. O amor que eu costumo amar exige de mim dedicação nos momentos mais difíceis para o outro. Eu não aprendi a amar pela metade, nem consigo entender como amar apenas os momentos bons. É que meu amor ama o todo, na alegria e na tristeza. Esse amor que florece em mim não costuma medir muitos esforços para ver o outro feliz. Talvez seja mesmo um amor exagerado, ou talvez não. Não consigo imaginar amor sem risos, não consigo imaginá-lo sem risos exagerados. O meu último amor durou pouco, mas durou o suficiente para me fazer entender o quanto amadureci amando alguém.
Percebi que o amor se sustenta na segurança, na certeza de que os dois querem ficar um com o outro. Também entendi que não há como haver amor sem discussão, sem adaptação de ideias e sonhos. O problema não são as brigas, mas a forma como lidamos com elas. A gente pode prolongar a briga, ou a gente pode resolver e colocar um ponto final nela. A gente pode remoê-la por toda uma vida ou a gente pode esquecê-la, deixá-la para trás. Descobri que o amor só dura à base do diálogo, e que o diálogo exige duas vozes para se concretizar. O amor não sobrevive à mudez da alma. Até o silêncio no amor, ele precisa se expressar. Ah, e também compreendi que o amor em si não é romântico, ele é cotidiano, é vida, é diário.
Amor que é amor sofre junto, perde a noite pra dividir a responsabilidade, tenta fazer a tristeza do outro sorrir. No amor, a gente faz escolhas. E algumas delas significam abdicar dos próprios sonhos, para minimizar a dor do outro. Significa partilhar a dor quando ela parece não ter mais fim. Quando a gente ama, a gente enxerga o sofrimento e a alegria no olhar do outro. A gente sabe quando o outro sorri a tristeza. A gente sabe quando o outro finge a felicidade apenas para seguir em frente, mesmo quando a dor ao redor não cansa de se mostrar. Quando a gente ama, a dor do outro dói na gente.
Mas como eu disse logo acima, o amor é cotidiano, é vida, é diário. E ele não sobrevive sozinho, sem a troca. Não no relacionamento a dois, pelo menos. A incerteza do outro gera incerteza na gente. É que a relação só evolui se houver mútuo empenho. Quando o outro deixa de ter certeza, quando o amor do outro já não parece brilhar, o amor da gente murcha, ele recua, ele se enconde. É como um bichinho amedrontado, que se sente acuado e perde a coragem de arriscar. O alimento do amor é a segurança, são aquelas atitudes do outro, aqueles gestos naqueles momentos específicos que voltam a inflar o nosso amor.
O meu amor deixou de ser romântico há algum tempo. Ele ainda é regado a surpresinhas e doçuras, ele ainda vive de carinho. Mas ele é real, ele permeia a divisão de tarefas, o estresse da correria da vida. Ele está ali, entre a discussão de um problema e outro, entre uma notícia boa e uma ruim. O amor que eu amo entende a hora de administrar uma crise, entende que há conflitos, entende que às vezes é necessário parar para reparar. Esse meu amor quer partilhar. É que eu ainda não aprendi a amar o amor solitário. O amor que eu amo também precisa ser amado.
Insegurança
maio 10, 2010A insegurança pode destruir a relação. Por mais amor que você tenha por alguém, é a segurança que leva paz e tranquilidade ao relacionamento (não só ela, claro). Muitas pessoas associam a insegurança ao medo de ser trocado ou traído, mas não é só isso. A insegurança pode estar ligada àquela sensação de não saber direito onde está pisando. Pode ter base no desconhecer o sentimento do outro, ou o que o outro pensa da relação, quer ou sonha. A mentira é outro desencadeador da insegurança.
A insegurança é igual àqueles tratores que passam por cima de qualquer coisa transformando tudo em pedacinhos inutilizáveis. Por isso é importante esclarecer as dúvidas do outro, se esforçar para tirar da relação as obscuridades. E também ser honesto e jogar limpo. Ah, importante também é reconhecer as limitações da pessoa que está ao nosso lado, porque enquanto umas têm a maior facilidade de se expressar, há aquelas que carregam uma dificuldade enorme em colocar para fora sentimentos, conversar.
Mais sobre a ansiedade
março 11, 2010Todos passamos por momentos de ansiedade na vida. Uma expectativa que seja, um projeto que não deu resultado ainda, um tanto infinito de coisas. Estou em busca da fórmula secreta que vai manter bem distante a ansiedade. Se alguém já tiver descoberto…
Ando assim
novembro 10, 2009Ando cansada dos mal-entendidos, das interpretações equivocadas, dos acessos de raiva, das discussões desnecessárias. Surpreendentemente, estou intolerante e impaciente.
Empolgação
novembro 4, 2009É bom estar empolgado com alguma coisa… Há uma renovação de energia gostosa, a gente tem umas sensações boas. A empolgação anima, motiva, acelera a percepção, a reflexão… É bom!
Escrito por Alane Virgínia