“Todos nós somos egoístas. Todos, sem exceção. Esse nunca vai ser o maior problema de ninguém, porque o egoísmo é inerente à natureza humana. O que muda é a intensidade, é a forma como lidamos com isso… quando a gente reconhece uma característica na gente, fica bem mais fácil lidar com ela, minimizá-la ou potencializá-la… A grande questão com relação ao egoísmo é o quanto estamos dispostos a renunciar ao que queremos em prol de alguma outra pessoa que amamos. O amor exige renúncia, sempre. Aceitar o outro, com sua imperfeição inerente, é uma renúncia… a gente não precisa deixar de ser egoísta, nem abrir mão de nossa felicidade em prol da felicidade do outro… o que a gente precisa é compreender as necessidades desse outro (se a gente quer mesmo permanecer ao lado dele) e tentar minimizar os efeitos do nosso egoísmo dentro da relação… e isso, a gente pode fazer nas pequenas coisas, nas mais simples… só que o ser humano complica demais… que pena!
Eu não acho que falar é fácil, necessariamente. Discordo em gênero, número e grau dessa afirmação. Às vezes, falar é tão difícil, que quem ouve nem imagina… não dá pra generalizar… são tantas as variáveis… a impressão que tenho é que você tá em busca de uma fórmula… uma fórmula que vai fazer as coisas funcionarem bem, que vai eternizar o amor, que vai trazer a compreensão aos dois… Mas não há fórmulas, infelizmente. E cada relação é uma relação… somos humanos, temos valores, valoramos as coisas de forma diferente e em intensidade diferente… O que eu acho que as pessoas precisam hoje é da certeza de que querem viver a vida inteira ao lado daquele outro alguém. O que eu sinto falta hoje é disso: a vontade e a certeza de que aquela é a pessoa da sua vida e não importam as dificuldades, é com essa pessoa que você quer passar o resto dos seus dias… Essa vontade vai fazer nascer a compreensão, a tolerância, vai renovar o amor a cada briga…
Quanto às brigas fúteis, elas sempre existirão, em toda e qualquer relação. Duas pessoas que foram criadas de forma diferente, que possuem valores diferentes, de repente decidem dividir uma vida. Com certeza terão brigas fúteis… mas o problema não está aí… o problema está na duração destas brigas, no impacto delas na relação, na forma como vocês vão começá-las e encerrá-las… tive um relacionamento passageiro, certa vez, e toda vez que havia uma briguinha fútil, a gente repetia uma mesma frase, um ao outro…. um belo dia percebemos que não havia mais briguinhas… mas a vida dá voltas… no momento em que as briguinhas cessaram, por um momento eu cheguei a pensar que tinha encontrado, de novo, o homem da minha vida… mas a vida dá voltas… em um momento específico eu não compreendi uma necessidade dele e ele não foi paciente.
Estou falando dele aqui porque, coincidentemente, hoje ele me ligou. Depois de anos sem nos falarmos… E conversamos sobre isso… Quem errou? Nós dois erramos… porque eu cobrei paciência, mas não compreendi a necessidade dele.. porque ele não compreendeu que aquela exigência era demais pra mim naquele momento. Hoje ele está bem longe daqui… ligou pra pedir desculpas por não ter sido paciente naquele dia, anos atrás. Incrível, isso… as lágrimas escorreram de meus olhos… foi bom ouvir aquilo… ele me deu a chance de também pedir desculpas… porque apesar de ter cobrado paciência dele, a impaciente fui eu… é o egoísmo.. olha ele aí de novo… ele sempre vai estar presente…
Sabe o que eu aprendi com tudo isso? A levar a vida mais leve… a perdoar as pessoas que amo pelas suas falhas, pela ausência… ao decidir levar a vida mais leve, percebi que todos na vida têm seus motivos… aprendi a amar as pessoas que amo do jeito que são… só isso… às vezes elas me magoam, machucam… mas aí eu penso em quantas vezes eu as magoei e as machuquei, e elas continuam ao meu lado.. quantas vezes eu já devo ter sido perdoada e nem me dei conta disso… aliás, com certeza, muitas vezes elas me perdoaram e eu nem tomei conhecimento.. eles simplesmente não me disseram que as magoei…
O amor não é complicado… complicado é o ser humano, complicados somos nós, que amamos… e quanto mais humanos, mais indagamos da vida… mas, por outro lado, quanto mais humanos mais compreendemos também… Eu escrevo demais!!! Sempre escrevi demais… Mas uma outra coisa que aprendi com a vida é a não deixar dúvidas… então, quando for o momento de falar, gastarei todas as palavras que estiverem ao meu alcance para me fazer entender… Quando for o momento de ouvir, estarão eles atentos, os ouvidos… e não me cobrarei por não ter entendido qualquer das palavras do outro.. aprendi a perguntar um milhão de vezes… isso ajuda a entender…
A relação perfeita não existe.. o que existe é adaptação, é vontade de ficar junto, certeza de querer o outro do seu lado pra sempre, e amor… Isso tudo aí de cima é divagação, mas tenha certeza de que, no dia que eu encontrar alguém que fizer despertar essa certeza em mim, de que ele eu quero do meu lado pela vida inteira, vou mandar um e-mail dizendo que eu nunca achei que eu podia ter razão…”