Costumo gostar das pessoas com certa facilidade. Um amigo me disse certa vez que há um pouco de ingenuidade nisso. Eu discordo, acho que há a vontade de dar um voto de confiança. O tempo nos revela as verdades. Eu não sou adepta da máxima que diz que a primeira impressão é a que fica. Pra mim, impressão vai se formando, com o tempo. Eu gosto de formar minhas próprias impressões, segundas, terceiras… Já me surpreendi diversas vezes.
O que te faz se afastar de alguém?
Agosto 26, 2009O que faz com que nos afastemos de alguém… Uma pergunta difícil. Quer dizer, depende. A resposta pode ser das mais fáceis: uma conduta, uma palavra, uma atitude, uma ação. Pode também ser difícil entender, talvez um conjunto de coisas que vão acontecendo ao longo do tempo, e, de repente, estoura. A gente se afasta de algumas pessoas, ainda que haja um sentimento bacana. A gente se reaproxima de outras pessoas, por razões que nem sempre conseguimos compreender. A gente se afasta porque quer. Ou nem percebe que está se distanciando. A gente se reaproxima porque quer, ou também nem percebe que está acontecendo. Um dia, alguém me disse: “A gente sempre sabe a razão”. E eu concordo, a gente sempre sabe a razão.
O medo de perder alguém
Agosto 10, 2009O medo de perder alguém nos faz aceitar uma série de coisas… Muitos de nós passamos por isso na vida. Eu, por exemplo, já tive medo de perder alguém. Perdi esse medo. Não é o medo de perder alguém que te faz manter esse alguém ao seu lado. Não funciona. Às vezes, ao perder o medo de perder esse alguém, você perde também a vontade de ter esse alguém ao seu lado. Parece contraditório, mas não é. O medo embaça a realidade, vira guia, mas desnorteia. Sem medo, a situação se mostra mais clara, óbvia até.
Sem sentido
Julho 24, 2009- É que nós dois está deixando de fazer sentido pra mim…
- …
- Eu não sei explicar direito… ainda há um medo de estar equivocada, mas eu não consigo mais achar sentido pra tudo isso…
- E pra que você quer um sentido agora? Depois de tantos anos? Nunca teve muito sentido mesmo…
- Pra você não? Pra mim tinha tanto sentido… É que eu te amava…
- …
Como a gente sabe que vai durar pra sempre?
Julho 17, 2009A pergunta me foi feita recentemente. No meio da madrugada, uma mensagem no celular que me despertou do sono. Como a gente sabe que encontrou alguém para o resto da vida? Fiquei pensando sobre isso no momento, ainda cambaleante do recente sono. A resposta foi imediata. A gente não sabe. Mas a gente pode querer que dure para sempre. Eu acho que é isso. A gente nunca sabe por quanto tempo uma relação vai durar. O importante não é isso. Fundamental, a meu ver, é a vontade de que ela dure para sempre. Essa vontade pode fazer a gente agir de uma forma direcionada a fazer a relação durar. Essa vontade pode fazer com que dure um pouco mais. Eu digo pode, porque não é tão fácil assim. Somos humanos, temos sentimentos… Enfim. Outra coisa que o tempo me ensinou foi a viver cada dia, cada momento, até o último segundo em que é possível dizer que está valendo à pena.
O amor da minha vida
Junho 4, 2009Quem nunca chamou alguém de “amor da minha vida”? É uma expressão forte, uma carga de sentimentos incontável, e mesmo quando há sofrimento dentro da relação com o “amor da vida”, vale à pena ter tido um. Tive poucos amores da minha vida, mas foram valiosos. Fizeram-me acreditar que é possível amar e ser feliz ao lado de alguém.
Viver estas relações foi crucial para o amadurecimento da minha concepção sobre o amor. Eles, os amores da minha vida, me ensinaram muito. Nem sequer sabem disso, mas foram cruciais para a composição do que sou hoje. E o que sou hoje, para mim, é uma vitória. Sei o que fui. Isso me deixa feliz porque percebo que em muito, melhorei.
As relações amorosas se constroem à base da amizade. Um dia cheguei a confundir as coisas. Será que é amor mesmo? Será que não é amizade? Descobri que não existe amor sem amizade. Ela é a base do amor, porque enquanto o amor nos enche de raiva quando as circunstâncias estão adversas, a amizade vai estabilizar, equilibrar, vai gerar compreensão.
Não sou a melhor mulher do mundo, nem sou perfeita. Acredito, no entanto, que sempre fui uma boa companheira. Com todos os defeitos que tenho, claro (e não são poucos). O tempo me fez aprender tanta coisa. A principal delas, pedir desculpas. E, na mesma intensidade, perdoar. Aprendi a confiar nas palavras do outro. A acreditar que se está ao meu lado é porque quer. Mas precisei errar pra entender.
Aprendi que preciso dizer o que penso, ainda que possa ser doloroso. Mas dizer o que penso precisa de ponderação. Não é sobre o que dizer, mas como dizer. Se eu me chatear, vou falar. Se não agradou, vou dizer. Se está bom, farei questão de ressaltar. E se exagerei, não vou pensar duas vezes pra pedir desculpas. Acho que amor é pra somar, pra tornar a vida melhor… o amor que te joga pra baixo não é saudável.
Meus parâmetros tornaram-se complicados. Isso porque eu os simplifiquei demais. E a simplicidade é complexa aos olhos dos outros. Estou mais tranquila, mais honesta comigo e com o outro, mais paciente. Escolhi não discutir por coisas pequenas. Escolhi pedir desculpas, ser compreensiva e paciente.
O problema é que estas escolhas me tornaram uma pessoa mais exigente. Qualquer pessoa não serve mais. Se é para abrir mão de liberdade, se é pra ser mais compreensiva, se é pra me doar mais, que seja por alguém que valha muito à pena. Eu não busco a perfeição, não acredito em conto de fadas, mas passei a acreditar, isso sim, que podemos facilitar as coisas ao invés de dificultá-las.
Entregue as armas
Abril 14, 2009Será que vale mesmo à pena querer sozinho? Desistir e entregar as armas faz parte, meu querido. Talvez tenha chegado a sua hora de desistir e sofrer a dor de uma batalha perdida, com a certeza de que amanhã terá sido apenas mais uma batalha, dentre as tantas que você ainda precisará lutar.
Querido Niel,
Dezembro 27, 2008“Hoje percebi o quanto o passado está impregnado em nós. Como em um passe de mágicas, compreendi que algo está errado. Que preciso fazer este algo diferente. O passado nos perseguiu durante todos estes anos. Com o pretexto de que somos os melhores amigos do mundo, arranjamos desculpas esfarrapadas para dormir junto, beijar na boca e fazer amor. É o passado que não nos deixa em paz. Que nos persegue, atento e desconfiado. Hoje, porém, algo de diferente aconteceu. Mais uma vez fizemos amor. E enquanto você tomava banho e eu tentava encontrar as peças de roupa espalhadas naquele quarto de motel, comecei a pensar que estava na hora de deixar pra trás o passado e começar uma vida nova.
Não vou conseguir tirar você da minha vida. Quantas vezes tentei, em vão. A única coisa que consegui foi nos magoar mais e mais. Mas posso tentar manter este nível de cumplicidade e amizade sem que para isso precisemos reviver o passado em cada encontro. A partir de hoje, seremos amigos, apenas. Sem beijos na boca, sem o roçar de pernas na cama. Podemos ir ao cinema se você quiser, ao teatro. Podemos ver um show juntos. Mas sem beijos e carinhos. Vamos aprender a conviver de uma maneira diferente. Ficamos juntos há tanto tempo. Eu até quis ficar junto de novo, mas não deu. Você não quis. E eu achei que me afastar de você e ignorar sua existência seria a solução. Não foi, não funcionou.
Hoje, enquanto catava as roupas, percebi que podemos ficar juntos, podemos nos falar várias vezes ao dia, podemos contar segredos, mas sem beijos e sem fazer amor. Podemos rir juntos, contar histórias, conversar… No início, sei que vai ser um pouco esquisito. Estamos tão acostumados, não é? Sem cerimônias, nos cumprimentamos com um selinho. Nos despedimos assim também. Sempre foi assim, por tantos anos. Até pensar em beijar a tua bochecha me soa esquisito. Não sei a última vez que fiz isso. Deve fazer tanto tempo, mas tanto… Mas as mudanças são positivas. Devem ser vistas assim. Esta será apenas mais uma mudança. De rotina, de comportamento, de atitude, de vida. Uma mudança brusca, eu confesso. Mas já está mesmo na hora.
Com carinho,
Niela”
Prioridade zero
Dezembro 2, 2008Você aposta em alguém. De repente vem a frustração. Não deu certo. E aí esse alguém deixa de ser prioridade. É assim.
Diário de menina
Novembro 4, 2008Quando eu era adolescente eu tinha um caderno. Era como um diário de uma relação. Nele eu escrevia apenas os meus sentimentos dentro daquele relacionamento que vivia naquele tempo. Escrevia muito, quase que diariamente, porque sempre fui bem discreta e pouco falava de minha vida para os amigos. E precisava desabafar com alguém… ou alguma coisa.
Ali eu escrevia, e lia algum tempo depois os antigos escritos. Era minha forma de avaliar aquilo tudo que eu estava vivendo. Guardei este caderno por muitos anos. Muitos anos mesmo. Talvez porque a relação que foi contada nele tenha sido muito especial pra mim. Um belo dia, peguei o caderno e fui rasgando folha por folha.
Não que eu estivesse, ao mesmo tempo, rasgando as marcas daquela relação. Era que eu estava fazendo uma faxina no guarda-roupa e, naquele momento, achei que não havia mais sentido em guardar aqueles escritos por mais tempo. Achei que havia chegado a hora de me desfazer do tal caderno e de tantas outras coisas, sem muito pensar.
Hoje, no entanto, eu senti falta daquele caderno. Hoje eu talvez tivesse mais uma página pra escrever nele…
Tenta, insiste, cansa, desiste
Outubro 31, 2008A gente tenta, insiste… Até que um dia cansa e desiste. Não significa que não valeu à pena. Significa que rendeu o que podia, que chegou ao limite, que nasceu o ponto final da história. É difícil assumir que acabou, mas é importante.
Gente, felicidade é um sentimento bom demais pra gente abrir mão dele por qualquer coisa que seja. Quando a gente está inserido em certos contextos, não consegue enxergar a ausência de felicidade ali, tampouco consegue enxergar a felicidade fora dali.
É engraçado isso, mas é assim que acontece. Até que um dia correr o risco nos parece necessário. Por uma razão qualquer… E a gente arrisca, e descobre que fez o certo. Ou descobre que tomou a decisão mais errada da vida. Por isso é um risco.
Pensando alto
Outubro 17, 2008Não é fácil ter o controle sobre o que acontece em nossa vida. A gente lida com pessoas e isso faz tudo se tornar mais complicado. Eu não tenho o menor interesse em saber o que se passa na cabeça de cada pessoa… mas eu queria, queria muito mesmo, saber o que se passa na cabeça de algumas pessoas específicas.
Seria bem mais fácil se relacionar assim. Ou bem mais difícil. É que eu acho que às vezes as pessoas deveriam falar algumas coisas… Não sei se vocês já se sentiram assim, mas às vezes me sinto como se estivesse sendo testada por alguém. Como se a minha reação fosse aguardada, como se alguém esperasse de mim uma certa atitude, quando poderia apenas dizer…
Seria tão mais fácil dizer, falar, explicar, esclarecer. Encurtaria um caminho mais longo, evitaria desencontros e mal entendidos…
Escrito por alane virgínia
Escrito por alane virgínia
Escrito por alane virgínia