Quem nunca chamou alguém de “amor da minha vida”? É uma expressão forte, uma carga de sentimentos incontável, e mesmo quando há sofrimento dentro da relação com o “amor da vida”, vale à pena ter tido um. Tive poucos amores da minha vida, mas foram valiosos. Fizeram-me acreditar que é possível amar e ser feliz ao lado de alguém.
Viver estas relações foi crucial para o amadurecimento da minha concepção sobre o amor. Eles, os amores da minha vida, me ensinaram muito. Nem sequer sabem disso, mas foram cruciais para a composição do que sou hoje. E o que sou hoje, para mim, é uma vitória. Sei o que fui. Isso me deixa feliz porque percebo que em muito, melhorei.
As relações amorosas se constroem à base da amizade. Um dia cheguei a confundir as coisas. Será que é amor mesmo? Será que não é amizade? Descobri que não existe amor sem amizade. Ela é a base do amor, porque enquanto o amor nos enche de raiva quando as circunstâncias estão adversas, a amizade vai estabilizar, equilibrar, vai gerar compreensão.
Não sou a melhor mulher do mundo, nem sou perfeita. Acredito, no entanto, que sempre fui uma boa companheira. Com todos os defeitos que tenho, claro (e não são poucos). O tempo me fez aprender tanta coisa. A principal delas, pedir desculpas. E, na mesma intensidade, perdoar. Aprendi a confiar nas palavras do outro. A acreditar que se está ao meu lado é porque quer. Mas precisei errar pra entender.
Aprendi que preciso dizer o que penso, ainda que possa ser doloroso. Mas dizer o que penso precisa de ponderação. Não é sobre o que dizer, mas como dizer. Se eu me chatear, vou falar. Se não agradou, vou dizer. Se está bom, farei questão de ressaltar. E se exagerei, não vou pensar duas vezes pra pedir desculpas. Acho que amor é pra somar, pra tornar a vida melhor… o amor que te joga pra baixo não é saudável.
Meus parâmetros tornaram-se complicados. Isso porque eu os simplifiquei demais. E a simplicidade é complexa aos olhos dos outros. Estou mais tranquila, mais honesta comigo e com o outro, mais paciente. Escolhi não discutir por coisas pequenas. Escolhi pedir desculpas, ser compreensiva e paciente.
O problema é que estas escolhas me tornaram uma pessoa mais exigente. Qualquer pessoa não serve mais. Se é para abrir mão de liberdade, se é pra ser mais compreensiva, se é pra me doar mais, que seja por alguém que valha muito à pena. Eu não busco a perfeição, não acredito em conto de fadas, mas passei a acreditar, isso sim, que podemos facilitar as coisas ao invés de dificultá-las.